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A origem do termo “Freud explica”

Seria essa a verdadeira origem do termo “Freud explica”?

Embora a extraordinariamente complexa Interpretação dos Sonhos (1900) demorasse a encontrar ampla receptividade, o jogo de procurar o “significado freudiano” em todas as coisas se tornou imediatamente popular através de um dos mais interessantes e influentes trabalhos de Freud, A Psicopatologia da Vida Cotidiana (1901). O que desde o início tornou esses dois livros atraentes não foi apenas as explicações que ofereceram para encontrar causas profundas em circunstâncias inesperadas; foi também a imagem que projetaram do próprio Freud como um grande investigador, bem ao estilo de seu personagem literário favorito, Sherlock Holmes (ver Welsh, 1994). São certamente trabalhos de ficção policial, retratando um herói que é, sob todos os aspectos, idêntico a Holmes, como um investigador dos mínimos indícios e um infalível solucionador de enigmas, que intimidaria qualquer simples mortal. E nossa admiração é redobrada pela impressão de que não estamos lendo ficção, mas, pelo contrário, ciência em forma agradavelmente narrativa.

O próprio Freud, parece, foi absorvido por sua própria pretensão: ele acreditou que, se fosse possível fornecer uma explicação “dinâmica” para praticamente todo sonho ou erro reportados, a eficiência de seu método estaria assim demonstrada. Ele, assim, negligenciou a exigência mais fundamental da prudência investigativa, confundindo a mera coerência temática produzida por seu método com a prova que era o único método seguro. Começamos a nos aproximar do rigor empírico somente quando perguntamos se algum conjunto antagônico de conjeturas poderia dar sentido plausível aos mesmos dados, embora impondo menos exigência à nossa confiança; mas Freud nunca fez isto, nem na análise do erro nem em qualquer outro âmbito.

Referências: *In The Freudian Slip: Psychoanalysis and Textual Criticism, 1974, cap.8 pp. 94-105. In: Unauthorized Freud: Doubters Confront a Legend, editado por Frederick Crews, New York, 1998. Tradução: Lígia Maria Cardoso. Revisão: Marco A. Frangiotti. Florianópolis, 2002.
*Sebastiano Timpan – http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/timpanaro.htm

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